segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

AVANÇOS TECNOLÓGICOS MEDICINAIS

NOVO INSTRUMENTO AVALIA LIMITAÇÕES MOTORAS NOS IDOSOS APÓS AVC
O PAMPI permite a recolha de informação em vários domínios

Alberto Barata Cavaleiro, U.Coimbra
Alberto Barata Cavaleiro, professor da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, construiu um instrumento de avaliação da actividade motora da pessoa idosa após AVC (Acidente Vascular Cerebral), que vem permitir a recolha de informação em vários domínios (físico-funcional, psicológico, espiritual e social), o que até aqui apenas era conseguido com o recurso, separadamente, a diferentes ferramentas de observação.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento «Actividade motora da pessoa idosa após AVC. Desafios e contributos de Enfermagem», que foi defendida, recentemente, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
Denominado de Protocolo de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa após Acidente Vascular Cerebral (PAMPI-AVC), este instrumento foi submetido a um “processo de refinamento”, segundo explica Alberto Barata, tendo sido analisados aspectos como a “capacidade discriminante de cada item" e a "redundância entre itens”.
O investigador considera que, ao avaliar os vários domínios, “o PAMPI-AVC vai permitir implementar acções terapêuticas no sentido de dar respostas mais adequadas às necessidades das pessoas”, justamente porque cruza informações de diferentes esferas de análise. “Espera-se que das futuras acções de enfermagem surjam ganhos em saúde mensuráveis” e “um contributo claro, objectivo e concreto para o bem-estar individual, das famílias e das comunidades de pessoas idosas após acidente vascular cerebral”, afirma, confiante.
Note-se que o PAMPI-AVC vai permitir avaliar, tanto a percepção que o doente tem das dificuldades por que passa, como a que o profissional de saúde reconhece, no sentido de verificar a existência de eventuais desajustamentos entre a necessidade e a terapia.
Numa avaliação feita a 88 pessoas idosas após acidente vascular cerebral verificou que, para uma grande maioria, o estado de visão se deteriorou significativamente: a “dificuldade de ver coisas que estavam ao seu
lado”, identificada, antes da doença, por 6,7 por cento dos inquiridos, passou a ser percepcionada por 68,1 por cento da amostra do estudo.

DOMÍNIO ESPIRITUAL VEM PRIMEIRO
Registe-se, por outro lado, que a população idosa estudada (pessoas em processos de transição de saúde para a doença e de reabilitação, em instituições da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados no distrito de Coimbra) valoriza, em primeiro lugar, o domínio espiritual (75,30 em 100) e só depois os domínios social (61,90 em 100), psicológico (53,74 em 100) e físico-funcional (33,15 em 100). Isto estará relacionado, segundo avança Alberto Barata, com a questão da finitude e com o período do ciclo vital em que as pessoas se encontram, reportando-se à religiosidade e à positividade do sentido da vida.
Apesar disso, dentro dos quatro domínios, a subcategoria da categoria “Relações de Proximidade” com pontuação mais alta é a “percepção da relação com os serviços de saúde” (84,38 em 100), acima da categoria “religiosidade” (77,43 em 100) e da “positividade do sentido de vida” (72,37 em 100).
Note-se, ainda, que 45,4 por cento dos indivíduos avaliados referiram perturbar-se com muita gente à sua volta, enquanto 23,9 por cento disseram sentir-se desorientados. Cerca de 38 por cento destas pessoas idosas percepcionaram o respectivo estado de saúde como mau ou muito mau.

Foi, ainda, possível identificar outro tipo de alterações no domínio físico-funcional: as médias de força muscular foram reduzidas nas 88 pessoas idosas, um terço das quais disse sentir dor (valores superiores a 5 numa escala de 1 a 10).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ALUNOS ISNARP - BOM CARNAVAL!




O carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira nem tampouco realizado apenas neste país. A História do Carnaval remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.

A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. AsSaceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.

O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.

O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.

As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.

Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas. Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.

A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.

Durante os carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.

A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

MEMÓRIA EM PAUTA




Somos marcados pela cultura do imediatismo e do sepultamento das memórias. Monumentos públicos são pichados, prédios históricos depredados, objetos antigos queimados etc. Mais que atos de vandalismo, trata-se de nosso modo de enxergar o mundo e dar sentido às coisas. E sinceramente, o que se revela é nossa incapacidade de perceber a importância de uma memória, de um registro. Trazendo esta realidade para o campo pessoal, em termos de princípios, não diferimos muito dos “vândalos”, que ultrajam os memoriais públicos, como que zombando do passado. Pois de forma similar, somos anti-preteristas, sepultamos nosso passado; esquecemos facilmente do que Deus nos fez, dos milagres que experimentamos, dos livramentos recebidos. 

Parece que o que conta é o momento, é o tempo chamado imediato. Não vivemos de passado, mas o passado que nos remete aos grandes marcos da nossa existência não podem ser apagados. Não se trata de apenas recordar, mas acima de tudo renovar nossa fé e gratidão. À medida que nosso olhar se desloca para o passado, e neste passado encontramos os momentos exatos em que fomos tocados por Deus, não tem como ignorar: nosso amor pelo Senhor é revigorado. Então, de certa forma, tal passado, marcado por milagres, não é registro morto, mas presente, que se manifesta em forma de profundo agradecimento.

Sei que existe um verdadeiro “culto” à informação nova, ao registro atual das coisas, em detrimento à história que ficou para trás. Como dizem: “jornal de ontem não vende”, a menos que seja para ser posto nos tapetes dos carros e portanto, ser pisado até que nem mesmo pra isso sirva mais. Mas nós que dizemos amar a Deus, deveríamos garantir que as vitórias graciosas recebidas de Cristo, jamais sejam esquecidas. O esquecimento está estreitamente ligado à ingratidão.

Samuel sabia a importância de uma memória e não permitiria que a grande vitória que Deus havia dado a Israel sobre os filisteus, fosse sepultada com o passar dos anos. Ele tinha conhecimento profundo do que Deus havia feito naquele momento sobre seu povo. Escolher uma pedra e chamá-la de “Ebenézer” (pedra de ajuda) foi uma grande expressão de gratidão e amor, pois na base desse ato estava a certeza: “Até aqui nos ajudou o Senhor”, e nós não vamos nos esquecer disso! Uma boa memória guarda o que vale à pena. Já dizia o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano: “A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”

Erga seus memoriais, estabeleça seus marcos de vitória, registre as bênçãos de Deus, levante altares de gratidão, mantenha vivo o passado que te faz lembrar que você não está sozinho, mas ao contrário tem sua história marcada pela graça de Deus.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ALGO SOBRE FREUD...





Sigmund Freud e a psicanálise se popularizaram de tal forma que suas idéias são, muitas vezes, veiculadas de modo errôneo e distorcido, como tudo que passa por um processo de grande divulgação, em especial numa sociedade de massas como a nossa.
Assim, é preciso, antes de mais nada, esclarecer o significado dessa expressão. O que é psicanálise? Em primeiro lugar, uma teoria que pretende explicar o funcionamento da mente humana. Além disso, a partir dessa explicação, ela se transforma num método de tratamento de diversos transtornos mentais.

São dois os fundamentos da teoria psicanalítica: 1) Os processos psíquicos são em sua imensa maioria inconscientes, a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total; 2) os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais.
Sexo e libido

Nesse sentido, Freud buscou explicar a vida humana (pessoal e individual, mas também pública e social) recorrendo a essas tendências sexuais a que chamou delibido. Com esse termo, o pai da psicanálise designou a energia sexual de maneira mais geral e indeterminada. Assim, por exemplo, em suas primeiras manifestações, a libido liga-se a outras funções vitais: no bebê que mama, o ato de sugar o seio materno provoca outro prazer além do de obter alimento e esse prazer passa a ser buscado por si mesmo.

Por isso, Freud afirma que a boca é uma "zona erógena" e considera que o prazer provocado pelo ato de sugar é sexual. Portanto, repare bem, a libido pode nada ter em comum com as áreas genitais.

Posto isso, a psicanálise compreende as grandes manifestações da psique como um conflito entre as tendências sexuais ou libido e as fórmulas morais e limitações sociais impostas ao indivíduo. Esses conflitos geram os sonhos, que seriam, segundo a interpretação freudiana, as expressões deformadas ou simbólicas de desejos reprimidos. Geram também os atos falhos ou lapsos, distrações falsamente atribuídas ao acaso, mas que remetem ou revelam aqueles mesmos desejos.
Transferência e sublimação

A psicanálise, que se faz através da conversação, trata as doenças mentais a partir da interpretação desses fenômenos, levando o paciente a identificar as origens de seu problema, o que pode ser o primeiro passo para a cura. Um dos fenômenos que ocorre durante a terapia psicanalítica é a transferência dos sentimentos (amor ou ódio) do paciente para o seu analista.

Outro conceito agregado à teoria por seu próprio criador foi o de sublimação, que compreende a transferência da libido para outros objetos de natureza não sexual, gerando fenômenos como a arte ou a religião. Além dele, há também o conceito decomplexos, mecanismos associativos aos quais devem ser atribuídos as principais perturbações mentais.

Vale lembrar que o conceito "complexo" não é de Freud, mas de seu discípulo Carl G. Jung, que depois rompeu com o mestre e criou teoria própria (a psicologia analítica). De qualquer modo, na obra "A Interpretação dos Sonhos", de 1900, Freud já esboçara os fundamentos do Complexo de Édipo, segundo o qual o amor do filho pela mãe implica ciúme ou aversão ao pai.
Id, ego e superego

Em 1923, no livro "O Ego e o Id", Freud expôs uma divisão da mente humana em três partes: 1) o ego que se identifica à nossa consciência; 2) o superego, que seria a nossa consciência moral, ou seja, os princípios sociais e as proibições que nos são inculcadas nos primeiros anos de vida e que nos acompanham de forma inconsciente a vida inteira; 3) o id, isto é, os impulsos múltiplos da libido, dirigidos sempre para o prazer. (Os três termos alemães empregados por Freud, em sua língua materna, eram "Ich", "Es" e "Überich", que se traduzem também por eu, isso e supereu.)

A influência que Freud exerceu em várias correntes da ciência, da arte e da filosofia foi enorme. Mas não se deve deixar de dizer que muitos filósofos, psicólogos e psiquiatras fazem sérias objeções ao modo como o pai da psicanálise e seus discípulos apresentam seus conceitos: como realidades absolutas e não como hipóteses ou instrumentos de explicação que podem ser ultrapassados pela evolução científica e, em alguns casos, foram mesmo.

A depressão, por exemplo, é um transtorno mental para cujo tratamento a psicanálise pode funcionar somente como co-adjuvante, devido ao caráter bioquímico que está em sua origem. Além disso, em uma de suas últimas obras "O Mal-Estar na Civilização", publicado em 1930, Freud tenta explicar a história da humanidade como a luta entre os instintos de vida (Eros) e os da morte (Tanatos), teoria cujo caráter maniqueísta foi apontado por vários críticos.
A contribuição freudiana

Independentemente disso, a importância de Sigmund Freud para a ciência é inquestionável e reside principalmente em três pontos. Antes de mais nada, o destaque pioneiro que o médico vienense deu ao fator sexual que era - até Freud - uma área de completa ignorância para a ciência e a filosofia.

Além disso, vários conceitos desenvolvidos por Freud serviram a diversos ramos da psicologia e possibilitaram o avanço dessa ciência que é muito mais do que um simples complemento da psiquiatria, enquanto uma especialidade médica. Isto é, a psicologia não se limita a tratar de distúrbios, mas a tentar explicar os processos psíquicos do ser humano.

Finalmente, o tratamento psicanalítico de diversos transtornos mentais continua a se revelar eficaz e a ajudar uma grande quantidade de indivíduos a ficarem em paz consigo mesmo e com a vida. Como já se disse, a psicanálise pode ser um co-adjuvante no tratamento de algumas doenças.

Em outros casos, ela pode se tornar a protagonista, evitando o recurso aos produtos farmacêuticos e seus inevitáveis efeitos colaterais. Pode também levar as pessoas a entenderem que os conflitos internos são inerentes ao ser humano normal, auxiliando-os a conviver com eles.