NOVO INSTRUMENTO
AVALIA LIMITAÇÕES MOTORAS NOS IDOSOS APÓS AVC
O PAMPI permite a
recolha de informação em vários domínios
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| Alberto Barata Cavaleiro, U.Coimbra |
Alberto Barata Cavaleiro, professor da Escola Superior de
Enfermagem de Coimbra, construiu um instrumento de avaliação da actividade
motora da pessoa idosa após AVC (Acidente Vascular Cerebral), que vem permitir
a recolha de informação em vários domínios (físico-funcional, psicológico,
espiritual e social), o que até aqui apenas era conseguido com o recurso,
separadamente, a diferentes ferramentas de observação.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito da tese de
doutoramento «Actividade motora da pessoa idosa após AVC. Desafios e
contributos de Enfermagem», que foi defendida, recentemente, no Instituto de
Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
Denominado de Protocolo de Avaliação Multidimensional da
Pessoa Idosa após Acidente Vascular Cerebral (PAMPI-AVC), este instrumento foi
submetido a um “processo de refinamento”, segundo explica Alberto Barata, tendo
sido analisados aspectos como a “capacidade discriminante de cada item" e
a "redundância entre itens”.
O investigador considera que, ao avaliar os vários domínios,
“o PAMPI-AVC vai permitir implementar acções terapêuticas no sentido de dar
respostas mais adequadas às necessidades das pessoas”, justamente porque cruza
informações de diferentes esferas de análise. “Espera-se que das futuras acções
de enfermagem surjam ganhos em saúde mensuráveis” e “um contributo claro,
objectivo e concreto para o bem-estar individual, das famílias e das
comunidades de pessoas idosas após acidente vascular cerebral”, afirma,
confiante.
Note-se que o PAMPI-AVC vai permitir avaliar, tanto a
percepção que o doente tem das dificuldades por que passa, como a que o
profissional de saúde reconhece, no sentido de verificar a existência de
eventuais desajustamentos entre a necessidade e a terapia.
Numa avaliação feita a 88 pessoas idosas após acidente
vascular cerebral verificou que, para uma grande maioria, o estado de visão se
deteriorou significativamente: a “dificuldade de ver coisas que estavam ao seu
lado”, identificada, antes da doença, por 6,7 por cento dos inquiridos, passou
a ser percepcionada por 68,1 por cento da amostra do estudo.
DOMÍNIO ESPIRITUAL
VEM PRIMEIRO
Registe-se, por outro lado, que a população idosa estudada
(pessoas em processos de transição de saúde para a doença e de reabilitação, em
instituições da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados no distrito de
Coimbra) valoriza, em primeiro lugar, o domínio espiritual (75,30 em 100) e só
depois os domínios social (61,90 em 100), psicológico (53,74 em 100) e
físico-funcional (33,15 em 100). Isto estará relacionado, segundo avança
Alberto Barata, com a questão da finitude e com o período do ciclo vital em que
as pessoas se encontram, reportando-se à religiosidade e à positividade do
sentido da vida.
Apesar disso, dentro dos quatro domínios, a subcategoria da
categoria “Relações de Proximidade” com pontuação mais alta é a “percepção da
relação com os serviços de saúde” (84,38 em 100), acima da categoria
“religiosidade” (77,43 em 100) e da “positividade do sentido de vida” (72,37 em
100).
Note-se, ainda, que 45,4 por cento dos indivíduos avaliados
referiram perturbar-se com muita gente à sua volta, enquanto 23,9 por cento
disseram sentir-se desorientados. Cerca de 38 por cento destas pessoas idosas
percepcionaram o respectivo estado de saúde como mau ou muito mau.
Foi, ainda, possível identificar outro tipo de alterações no
domínio físico-funcional: as médias de força muscular foram reduzidas nas 88
pessoas idosas, um terço das quais disse sentir dor (valores superiores a 5
numa escala de 1 a 10).


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